Série de reportagens especiais discute se feminicídio pode ser evitado

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O feminicídio pode ser evitado. Essa afirmação é feita constantemente em espaços de discussão sobre violência contra a mulher. Mas como evitar, quando os casos sequer chegam ao conhecimento público? E quando chegam, os órgãos de segurança e justiça podem impedir? Esses questionamentos farão parte de uma série de reportagem especial, construída com base na dissertação de mestrado da jornalista e policial civil, Luciene Oliveira, dentro do programa de Sociologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

Com o tema “O feminicídio no processo de violência é um ato evitável? Políticas de proteção às mulheres em situação de violência”, a abordagem da pesquisa foi qualitativa e quantitativa, com análise de conteúdo e entrevista estruturada. De 17 inquéritos selecionados inicialmente, 13 foram aprofundados, sendo 12 de tentativas de homicídios e um de tentativa de feminicídio. As investigações foram instauradas no município de Várzea Grande, nos anos de 2016 e 2017.

A primeira reportagem da série especial abordará o perfil identificado das vítimas femininas que registraram as ocorrências e os obstáculos rompidos por elas ao procurar ajuda. Trará também depoimentos dessas mulheres que deixam explícito o sentimento de posse e afirmação da masculinidade que motivaram as agressões.

Terrorismo íntimo e a crueldade da agressão física compõem os relatos de vítimas da segunda matéria. Também serão abordadas as políticas públicas que asseguram a proteção das mulheres, e como algumas violências ainda persistem.

A última reportagem da série trará a conclusão da problemática central da dissertação de mestrado: “O feminicídio no processo da violência é um ato evitável?”. Com dados e análises qualitativas, a pesquisa resultou em um diagnóstico que engloba a dificuldade de a vítima romper o ciclo de violência, falhas em políticas públicas e resistência do agressor em participar de atividades de reeducação e grupos de apoio.

O primeiro texto será publicado na próxima segunda-feira (05.04), no site da Sesp-MT. Por conter relatos sensíveis de vítimas, toda a série será divulgada com avisos de gatilho.

A dissertação

O trabalho teve a orientação do professor doutor da UFMT, Luís Antônio Bitante Fernandes. Além dele, como presidente, a banca foi composta pela professora doutora da Fiocruz, Cristiane Batista Andrade (externa); professora doutora da UFMT Silvana Maria Bitencourt (interna); e professor doutor da UFMT, Edson Benedito Rondon Filho (suplente). A dissertação foi defendida e aprovada em 20 de fevereiro de 2021 e, após ajustes finais, foi registrada oficialmente.

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