Médicos brasileiros investigam mortes de crianças por covid-19

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“A pergunta que eu mesma me faço é aquela que não sabemos responder: afinal de contas, do que estão morrendo essas crianças?”

Com essas palavras, a médica patologista e professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Marisa Dolhnikoff define, em entrevista à BBC Brasil, a missão de um grupo de pesquisadores brasileiros que se destaca por usar um método particular de autópsia para estudar — e tentar explicar — as mortes por covid-19 entre crianças.

No cumprimento dessa missão, a equipe da FMUSP acaba de dar um passo importante: foi a primeira no mundo a confirmar a presença do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no coração de uma criança que morreu de uma manifestação atípica de covid-19, a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P).

A descoberta, relatada em um estudo de caso publicado em agosto na revista científica Lancet Child and Adolescent Health, chamou a atenção da comunidade científica internacional. Agora, o grupo quer explicar os mecanismos por trás dos óbitos de outras quatro crianças que perderam suas vidas por covid-19 no Hospital das Clínicas da FMUSP. “O estudo que a gente quer fazer seria mostrar o espectro de possíveis apresentações da covid grave em crianças que chegaram a morrer e em que pudemos fazer autópsia”, diz Dolhnikoff que, ao lado do patologista Paulo Saldiva, coordena os estudos em autópsia de óbitos da covid na USP.

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