Má gestão e falta de transparência da atual reitoria agravaram crise na UFMT

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Próxima de comemorar meio século de fundação, a Universidade Federal de Mato Grosso não vive seu melhor momento. Apesar do orçamento de quase um bilhão de reais, a instituição recentemente teve a energia cortada por falta de pagamento e enfrentou greve dos trabalhadores terceirizados da segurança e limpeza. A visível falta de gestão e transparência levou a docente do curso de Administração Danieli Backes a se candidatar à reitoria da universidade em busca de renovação e melhorias.

A professora, que atua na UFMT desde 2012, encabeça a chapa “Juntos somos + UFMT!” e conta que sua motivação para a disputa começou em meados do ano passado, quando foi surpreendida por um possível corte de energia após o anúncio do contingenciamento do orçamento federal. “Naquele momento, a gestão falhava em vários pontos, incluindo na comunicação e na transparência. Não tínhamos ideia do que se passava em nossa instituição e mesmo com os pedidos de esclarecimentos, a reitoria não apresentava os números à comunidade acadêmica. Isso gerou insegurança e indignação, e a partir daquele momento, decidi sistematizar um projeto de reestruturação para a UFMT com todo o conhecimento que adquiri em minha tese de doutoramento e no bacharelado em Administração Pública, onde trabalhei por vários anos”.

Danieli aponta que o maior problema enfrentado hoje pela universidade é a falta de planejamento na gestão. Segundo ela, a administração está em função de gerir contingências, de modo que se gasta a maior parte dos recursos, incluindo tempo e conhecimento, para manter a instituição funcionando minimamente. “Enquanto as dívidas aumentam e a evasão dos estudantes continua elevada, a identidade e o orgulho de pertencer à universidade são cada vez menos perceptíveis e a interlocução com a sociedade é um desafio cada vez maior. Na minha visão, o comando da UFMT precisar mudar seus conceitos e ideias. Nossa chapa é a verdadeira renovação para os rumos da instituição”, aponta.

Além dos problemas financeiros e de má-gestão, Danieli reforça que questões polêmicas geraram conflitos no passado, como a falta de segurança no campus e o valor das refeições do Restaurante Universitário, que precisam ser tratados com seriedade. “O restaurante é um problema bem complicado para a universidade, se trata de uma das maiores despesas, todavia o restaurante cumpre com papel social importantíssimo junto aos nossos estudantes, principalmente aqueles de condições econômicas menos favorecidas, e portanto, devem ter preços acessíveis.” Sobre a segurança, a instalação de câmeras e monitoramento do campus por drones devem ser medidas a serem adotadas, além da criação de um plano de segurança para que possamos ter controle sobre quem entra e quem sai”, explica. “Isso vai garantir melhor qualidade de vida aos nossos servidores e estudantes, que poderão trabalhar com maior tranquilidade e segurança.”

Para a implementação desses e outros projetos, bem como investimentos em pesquisas, extensão, métodos de ensino, e na modernização das instalações e do sistema de informação da universidade, Danieli afirma que sua gestão concentrará esforços na captação de recursos de diversas fontes. “Nos comprometemos a envidar esforços para buscar recursos junto à bancada de Mato Grosso no Congresso, ao mesmo tempo em que formalizaremos parcerias com as mais diversas organizações da nossa sociedade. Moveremos esforços para angariar apoio do setor governamental, do setor produtivo e das organizações sociais do Estado, por meio de parcerias institucionais. Neste momento da mais grave crise mundial do último século, a sociedade pode verificar a importância da universidade pública que atua nas mais diversas áreas do conhecimento para o enfrentamento da Covid-19”, comenta.

A votação da consulta pública será na próxima sexta-feira (24.07), quando será feita a apuração dos nomes mais referendados pela comunidade acadêmica. A etapa seguinte será a composição da lista tríplice dentro dos conselhos da universidade. Até o dia 14 de agosto, o documento oficial com os três nomes deve ser enviado ao Ministério da Educação, órgão responsável pela escolha dos reitores das universidades federais.

A chapa “Juntos somos + UFMT!”

Danieli Artuzi Pês Backes: A Candidata a reitora é doutora em Administração pela Universidade Nove de Julho. Mestre em Agronegócios e Desenvolvimento Regional na UFMT, concursada para professora do departamento de Administração. Membro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, e líder do tema três da divisão de EPQ – Avaliação do ensino superior e seus impactos sobre a ciência brasileira.

Sandra Negri: Candidata a vice-reitora doutora em Administração e Mestre em Direito. Professora do Curso de Direito no Campus Araguaia e pesquisadora da UFMT. Escritora e mediadora judicial. Conselheira no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE-UFMT). Coordenadora do Núcleo de Pesquisa Direito Araguaia (NUPEDIA-UFMT). Presidente do Instituto Brasileiro de Administração do Sistema Judiciário (IBRAJUS).

Propostas da chapa

– Defender e respeitar a autonomia universitária, uma das garantias constitucionais.

– Estar atentas, de forma crítica, às políticas do MEC e do MCT, inclusive CAPES e CNPq, defendendo sempre os interesses de nossa instituição, para o alcance da excelência em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão, sempre em consonância com manifestações exaradas das instâncias colegiadas e fóruns específicos.

– Respeitar as instâncias universitárias, submetendo as decisões acadêmicas, políticas e administrativas aos seus órgãos colegiados (Colegiados de Departamentos, Colegiados de Cursos, Congregações de Faculdades e Institutos, Consuni, Consepe e Conselho Diretor).

– Gerir a Universidade na perspectiva de seu papel educativo, científico, cultural e inovador, sempre ao serviço da comunidade.

– Buscar continuamente o apoio e parcerias com a sociedade, objetivando o fortalecimento de nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão.

– Ser vigilantes e propositivas, no sentido de garantir que o espaço universitário seja inclusivo, interativo, plural, democrático e aberto à participação de todos.

– Primar pela qualidade na formação de nossos estudantes, fomentar a capacitação e a qualificação dos docentes e técnicos.

– Buscar continuamente meios para contribuir com o bem-estar e qualidade de vida do corpo universitário: servidores docentes e técnicos, e estudantes

ÍconePress Assessoria de Imprensa e Agência de Conteúdo

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