Desacreditada por Bolsonaro, urna eletrônica completa 25 anos em 2021

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Vinte e cinco anos depois da primeira experiência com a urna eletrônica no Brasil, a segurança do sistema volta a ser questionado. Agora, o movimento é capitaneado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que insiste em minar a confiança nas urnas e defende a volta do voto impresso, alegando ser “auditável”.

A investida contra a urna tem parte de sua argumentação baseada em suposições infundadas e em fake news, como a de que o sistema não pode ser auditado.

Secretário geral da Federação Nacional das Empresas de Informática (Fenainfo), Gerino Xavier participou da implementação do voto eletrônico no país em 1995.

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Para ele, tecnicamente não há o que levantar sobre a segurança das urnas. “É garantido por lei aos partidos fazer auditoria na urna. Isso antes e depois da eleição”, explica.

A urna conta com 90 sistemas embutidos que funcionam como “barreiras” contra fraudes. Além disso, o equipamento é lacrado.

Um deles é a “zerézima”. Antes de abrir a urna para receber o voto do eleitor, o presidente da mesa receptora de votos ligará a máquina às 7h30 na presença dos mesários e fiscais de partidos políticos. Quando for ligada, ela emitirá o relatório, que traz toda a identificação daquela urna e comprova que nela estão registrados todos os candidatos e que nenhum deles computa voto, ou seja, a urna tem zero voto.

Objetivos

Ele alega que os defensores da proposta querem levantar suspeição para, se o resultado da eleição não agradar, embasar alguma atitude que deslegitime o processo. “Essa ideia de fazer voto impresso é oportunista, para criar polêmica, para interesses que não estão claros. O que garante a lisura do processo é exatamente a possibilidade de fiscalizar, o que já é garantido”, salienta.

“O código-fonte da urna já foi analisado diversas vezes para identificar qualquer tipo de problema. Ao longo do tempo, foram feitas melhorias e jamais foram encontrados problemas graves”, observa Roberto.

“Em 25 anos de utilização não tivemos nenhuma evidência além de discurso baseado em teorias estapafúrdias e sem nenhuma prova. Nunca tivemos nenhum caso em nenhum nível de governo, ninguém teve evidência suficiente para provar que houve fraude”, conclui.

Prejuízos

Para Roberto Mayer, o país sofreria graves prejuízos caso a urna eletrônica fosse substituída pelo voto impresso. “Teríamos um custo maior, por o processo envolver mais pessoas na contabilização manual, além de maior possibilidade de erro humano. A apuração seria muito mais lenta, e isso inviabilizaria a realização do segundo turno no tempo que estamos habituados hoje. A judicialização do voto impresso seria muito maior”, aponta.

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