Defensoria faz pesquisa sobre assédio sexual entre as usuárias do transporte coletivo

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A Defensoria Pública de Mato Grosso realizou, na manhã de ontem (10), uma pesquisa sobre assédio sexual entre as usuárias do transporte coletivo em Cuiabá. Foram entrevistadas cerca de 30 mulheres no bairro CPA I, na Av. Prainha e nas praças Maria Taquara, Alencastro e da República, e 98% afirmaram já ter sofrido assédio nos ônibus da capital.

A ação faz parte da iniciativa da Defensoria para a criação de uma ferramenta no aplicativo Meu Ônibus MTU, da Associação Mato-grossense dos Transportadores Urbanos (MTU), para a denúncia de casos de importunação sexual no transporte coletivo em Cuiabá e Várzea Grande.

O intuito é fazer com que as forças policiais tenham acesso, em tempo real, às denúncias de assédio sexual e possam até solicitar ao motorista do coletivo que pare o veículo para que seja averiguada a situação.

Segundo a defensora pública Rosana Leite, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) de Cuiabá, o objetivo da pesquisa foi conhecer a situação mais de perto. “Foi quase unânime que os assédios e importunações sexuais contra mulheres acontecem cotidianamente”, relatou.

Todas as entrevistadas, na faixa dos 15 aos 54 anos, afirmaram que já presenciaram cenas de assédio sexual dentro dos ônibus, nas paradas ou estações de transporte público na capital. Além disso, 100% dessas mulheres disseram que fariam a denúncia caso vissem alguém passar por essa situação.

“Averiguamos o desrespeito, as humilhações e agressões às quais o gênero feminino se encontra exposto todos os dias. As importunações e assédios podem acontecer contra os dois gêneros. Entretanto, mais de 90% dos casos ocorrem contra as mulheres”, afirmou a defensora.

Atualmente, apenas 50% das entrevistadas informaram ter o aplicativo Meu Ônibus MTU, disponível gratuitamente para download na Play Store (Android) e App Store (iOS), instalado no celular. Por outro lado, 100% confirmaram que baixariam o aplicativo se houvesse essa ferramenta de denúncia contra o assédio sexual. O levantamento também contou com a colaboração de Larissa Arruda Pinho, gerente de contratos da DPMT.

“O papel da Defensoria Pública, além da divulgação dos direitos do gênero feminino à sociedade, será o de acolhimento e acompanhamento processual das vítimas. A mulher vítima de violência sexual possui muito temor em buscar ajuda pelo julgamento ao qual sempre foi exposta. Estamos na quarta onda feminista no Brasil, onde as mulheres firmaram a intolerância quanto ao desrespeito ao corpo. O corpo da mulher a pertence e deve ser respeitado. A aproximação só deve acontecer com o consentimento da mulher”, concluiu Rosana.

Nesta quinta-feira (12), ocorrerá uma reunião na sede da Defensoria com representantes da MTU e do Ciosp, incluindo técnicos de Tecnologia de Informação (TI), para discutir a criação do botão de denúncia para combater os casos de importunação sexual em Cuiabá e Várzea Grande.

Fonte: Assessoria de Imprensa

 

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