Coronavírus: os desafios de pais separados com a guarda na quarentena

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O isolamento social motivado pela pandemia do novo coronavírus exigiu uma radical alteração do modo de vida de todos. Para alguns, uma rotina que exigia esforço se torna ainda mais complicada. Caso de casais separados que compartilham a guarda dos filhos pequenos.

E nem todos têm a sorte de uma solução amigável. O motorista Wendel Vinícius Souza Alencar, de 25 anos, considera mais saudável, tomadas todas as precauções, o revezamento entre os pais. Ele e a ex-mulher, entretanto, ainda não alcançaram um acordo de guarda compartilhada na Justiça.

“Passei cerca de quatro horas com a Ágatha no dia 7 de março, quando a encontrei. Depois disso, não consegui mais vê-la”, lamenta Wendel.

De acordo com o pai, o isolamento social não afeta o direito de ele ver a garotinha. “A mãe dela está dificultando as coisas. Não permite que eu a encontre e usa o argumento de que está em casa com a família, em quarentena, e não pode correr o risco de uma possível contaminação. Só me disse que, na casa dela, ninguém sai e nem entra”, explica.

“E se esse vírus durar mais um ou dois anos? Vou ficar todo esse tempo sem ver ela?”, questiona. O medo de Wendel é não acompanhar o crescimento e a fase de descobertas da criança.

“Desde que a gente se separou, eu sempre quis estar presente o máximo possível. Isso pode causar consequências no futuro. Os filhos crescem com traumas por não ter tido a presença do pai ou da mãe. A minha família também está sendo privada do convívio com a Ágatha e quero os meus direitos de pai. Estou sofrendo.”

O jovem pretende procurar apoio de um advogado. “Se hoje eu tivesse a oportunidade de entrar com uma ação, eu faria. Quero um advogado que realmente aceite me ajudar a resolver tudo isso. Me sinto muito frágil e prejudicado com essa situação”, desabafa.

Fonte: METROPÓLES

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