Casos de policiais federais contaminados explodem nos últimos meses

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Os casos confirmados de servidores contaminados pela Covid-19 na Polícia Federal aumentaram 151% entre setembro e dezembro deste ano. Chama a atenção também a expansão de casos sob averiguação: 139%. Entre servidores da ativa e aposentados, o número de mortos aumentou mais de 65%.

Os dados foram repassados à Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) pelos sindicatos estaduais. A Federação centraliza as informações desde o início da pandemia.

Em números absolutos, isso significa que há, pelo menos, 868 servidores da PF contaminados pela doença e 15 mortos. Os números podem ser ainda maiores, uma vez que alguns sindicatos não conseguiram passar a estatística para a Federação.

O presidente da Fenapef, Luís Antônio Boudens, atribui parte desse resultado ao aumento no número de operações policiais não-prioritárias ou realizadas de forma sequenciada, sem a atenção aos cuidados necessários.

A Fenapef apresentou os números à Polícia Federal e pediu a máxima atenção à saúde dos policiais federais. A entidade reuniu informações sobre a demanda de operações gerada pela expedição de ordens judiciais nos estados, que se acumularam por conta do período eleitoral, e também pela busca de alguns dirigentes estaduais em “bater metas” de produtividade. Em ambos os casos, os policiais federais não poderiam ser colocados em situação de risco maior que o habitual.

A Fenapef acompanha a evolução dos dados e atua, junto à direção geral da PF e ao Ministério da Justiça, para tentar evitar ao máximo um descontrole na contaminação dos servidores. Ainda no início da pandemia, em 31 de março, a Federação editou portaria estabelecendo protocolo de ações de enfrentamento à pandemia. O documento serviu como guia de atuação e foi adotado pelos representantes sindicais das 27 unidades do País.

Outra prioridade da Fenapef é acompanhar o fornecimento constante de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como luvas, máscaras, álcool em gel e capotes, se for o caso, para os servidores que trabalham diretamente com o público externo. Além disso, solicitou às instâncias superiores o teletrabalho para o policial que pertença a algum grupo considerado de risco (ter mais de 60 anos ou que seja portador de doença crônica ou qualquer outra que afete a imunidade).

Neste período de risco, de acordo com a Fenapef, as operações policiais devem atender a rito especial de preparação. Elas só podem ocorrer depois de analisadas as condições de urgência e necessidade. Caso sejam inadiáveis, as equipes devem estar totalmente equipadas com material de proteção contra o contágio pelo vírus.

Contaminação nos estados

De acordo com os dados enviados pelos sindicatos, o Rio de Janeiro é o estado com o maior número de casos confirmados de Covid-19 entre policiais federais: são 153. O Rio tem, ainda, outros 198 casos sob investigação. Duas mortes de servidores foram confirmadas no estado. Há um surto da doença na Delegacia Especial do Aeroporto Internacional (Deain) do Galeão, no Rio de Janeiro, onde uma funcionária terceirizada morreu e as equipes estão reduzidas por conta do elevado índice de contágio entre os servidores.

O Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Rio de Janeiro (SSDPF-RJ) encaminhou ofício ao superintendente regional do Departamento de Polícia Federal no Rio de Janeiro, Tácio Muzzi, pedindo providências como a testagem em massa, a medição de temperatura, a volta do homeoffice para trabalhadores do grupo de risco e distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs). O SSDPF-RJ pede também a suspensão ou adiamento de operações que impliquem em aglomeração de servidores. A resposta foi considerada “protocolar” pelos policiais do Rio e pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que esperavam ações mais coordenadas e um trabalho efetivo de combate à pandemia.

Os números também são muito elevados no Distrito Federal: 96 casos confirmados, dois sob suspeita e uma morte.

Também chama a atenção o grande número de casos registrados nos estados da Região Sul e, especialmente, no Rio Grande do Sul, onde 94 pessoas testaram positivo para a doença. Em Santa Catarina, foram 44 contaminados e 73 no Paraná. Vale destacar que a superintendência de Santa Catarina tem 114 outros casos suspeitos e o Paraná, 68. Tanto Santa Catarina quanto o Paraná registraram uma morte cada.

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