Calcule quantos alimentos é possível comprar com auxílio emergencial

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presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviou ao Congresso Nacional, na última quinta-feira (18/3), a Medida Provisória que institui o auxílio emergencial de 2021. O benefício será pago em quatro parcelas mensais, de R$ 150 a R$ 375, a partir de abril, a 45,6 milhões de famílias brasileiras, segundo o governo federal.

O auxílio começou a ser entregue em 2020, no início da pandemia de Covid-19, no valor de R$ 600. Em setembro do ano passado, sofreu a primeira alteração ao ser ampliado, e passou a ser de R$ 300. Agora, com mais uma redução, especialistas temem dificuldades para a alimentação básica dos brasileiros.

De acordo com o governo federal, o benefício será limitado a uma pessoa por família. Mães solteiras receberão R$ 375, e pessoas que moram sozinhas terão direito a R$ 150. Enquanto isso, o valor de R$ 250 será destinado a pessoas casadas e com filhos.Um levantamento feito pelo Metrópoles, com base na Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mostra que nenhum dos valores definidos pelo governo federal é suficiente para garantir a alimentação mensal adequada para o trabalhador brasileiro.

Em fevereiro deste ano, a cesta básica de alimentos variou entre R$ 445,90 e R$ 639,81 nas 17 cidades brasileiras que integram o estudo do Dieese. Ambos os valores são mais altos que a quantia entregue pelo governo aos brasileiros por meio do auxílio.

Por isso, o Metrópoles desenvolveu uma plataforma para responder ao seguinte questionamento: afinal, o que é possível colocar na mesa com a quantia sugerida pelo governo? Veja a seguir.

Como foi feito o levantamento?

Para fazer a análise, foi utilizada a pesquisa do Dieese sobre a cesta básica de alimentos de fevereiro de 2021. O estudo mostra o preço médio de um conjunto de produtos alimentícios considerados essenciais, em 17 cidades brasileiras.

Os itens básicos foram definidos pelo Decreto Lei nº 399 de 1938, que regulamentou o salário mínimo no Brasil e determinou que a cesta de alimentos fosse composta por 13 produtos, em quantidades suficientes para garantir a alimentação, o sustento e o bem-estar de um trabalhador adulto durante um mês.

“É o único decreto no país que fala sobre o que seria a alimentação ideal para um trabalhador. Ele foi feito quando houve a instituição do salário mínimo no Brasil. Foram criadas comissões para entender como cada região consumia”, explica Patrícia Lino, economista do Dieese. Assim, a pesquisa divide o país em três regiões: cada uma tem suas especificidades e quantidades de alimentos definidas como essenciais pela legislação. Mensalmente, o Dieese analisa, em todas as cidades, o preço dos 13 produtos que integram a cesta básica, a fim de definir o preço médio de todos os alimentos da lista.

“A gente visita entre 30 e 40 supermercados, padarias, feiras e açougues por cidade, dependendo da região, e respeitamos o hábito de compra do consumidor. Temos entre 90 e 100 estabelecimentos visitados mensalmente em cada uma das 17 cidades da pesquisa”, explica Patrícia.

A economista ressalta a relevância do estudo: “Além de ser uma importante fonte de subsídio para a região, para pensar em abastecimento e políticas específicas, nacionalmente, o Brasil ganha. Porque você consegue ter um panorama geral de como são praticados os preços em cada uma das cidades do país”.

Veja a quantidade básica de alimentos para a sua região, de acordo com o Decreto Lei nº 399 de 1938:

Tabela de provisões mínimas estipuladas pelo Decreto Lei n° 399

Região 1 – Estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Distrito Federal.
Região 2 – Estados de Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Sergipe, Amazonas, Pará, Piauí, Tocantins, Acre, Paraíba, Rondônia, Amapá, Roraima e Maranhão.
Região 3 – Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Fonte: METRÓPOLES

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