“Brasil vive populismo com lampejos autoritários”, diz Moro em artigo

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O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, defendeu nesta quarta-feira (03/06) que é essencial separar o Estado da pessoa do governante. Para ele, as instituições de Estado, ainda que sujeitas a algumas orientações políticas, estão vinculadas “à aplicação neutra e apartidária da lei”.

“Isso é especialmente relevante para as agências de aplicação da lei que também têm um papel de controle das ações dos próprios governantes”, escreveu. Ele completou: “Dentro do modelo do estado de direito, o governo é de leis, não do arbítrio do governante ou de interesses especiais.”

“Populismo com lampejos autoritários”

Para Moro, o país vive um “populismo, com lampejos autoritários”, que segundo ele, está escancarado. “Judiciário e Legislativo são inconvenientes quando não se dobram à vontade do Executivo. Órgãos vinculados ao Executivo devem cumprir acriticamente a pauta do Planalto e estão sujeitos a interferências arbitrárias”, criticou.

Ele citou exemplos. “Radares devem ser retirados das rodovias federais, ainda que isso leve ao incremento dos acidentes e das mortes; agentes de fiscalização ambiental devem ser exonerados se atuarem efetivamente contra o desmatamento ou queimadas; médicos devem ser afastados do Ministério da Saúde pois a pandemia do coronavírus atrapalha a economia, e agentes policiais federais não podem cumprir ‘ordens absurdas’ quando dirigidas contra aliados político-partidários”, ponderou.

O ex-ministro finaliza dizendo que “o quadro é muito ruim”. “Mas quero deixar claro: o populismo é negativo por si mesmo, seja de direita, seja de esquerda. Manipular a opinião pública, estimulando ódio e divisão entre a população é péssimo. Temos mais coisas em comum do que divergências. Democracia é tolerância e entendimento”, frisou.

Ele concluiu. “Não há problema na presença de militares no governo, considerando seus princípios e preparo técnico. Não há espaço, porém, para ameaçar o país invocando falso apoio das Forças Armadas para aventuras”, destacou.

Fonte: METROPÓLES

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