Brasil exporta mais de US$ 300 milhões em armas pequenas por ano

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Brasil é um dos cinco maiores exportadores de armas pequenas do mundo e a posição deve ser mantida por algum tempo. Em 2019, o país vendeu para empresas estrangeiras pelo menos US$ 368 milhões em produtos do setor, completando o oitavo ano seguido onde a comercialização internacional do país ficou acima de US$ 300 milhões.

As empresas mais famosas do setor são a Taurus e a Companhia Brasileiria de Cartuchos (CBC). No entanto, há outras importantes, inclusive uma estatal, a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL) vinculada ao Ministério da Defesa.

De acordo com a Associação nacional da Indústria de Armas e Munições (ANIAM), a produção brasileira é de 4,9 mil armas de fogo por dia e 700 milhões de munição por ano.

Destinos
O principal comprador de armas pequenas brasileiras são os Estados Unidos. O país norte-americano adquiriu 45% da mercadoria exportada pelo Brasil desde 2010, o equivalente a US$ 1,5 bilhão. Os EUA são o maior mercado mundial de armas de uso pessoal do mundo e esse tipo de produto normalmente é destinado a civis.

“A demanda dos Estados Unidos tem um impacto significativo nos negócios internacionais como um todo. Existem outros bons compradores, mas não na mesma escala”, explicou Paul Holtom, pesquisador sênior na Small Arms Survey.

Transparência
Apesar do tamanho e da importância, o setor reluta em divulgar mais informações sobre as suas exportações. Qualquer pedido de Lei de Acesso à Informação feito para conhecer os destinatários das vendas da Imbel é negado alegando o segredo comercial.

Cruzando o local onde a exportação é registrada com a sede de cada empresa, é possível afirmar que a Imbel vendeu armas para compradores localizados em Botsuana, África do Sul, Estados Unidos e Austrália. Porém, não é possível obter mais informações.

O Brasil aderiu em 2018 a um tratado de regulação do comércio internacional de armas. Entre outras cláusulas, o documento pede que cada país divulgue um relatório anual sobre o assunto. “A medida, entretanto, é fácil de burlar”, explicou Holtom.

Os membros do tratado podem decidir submeter o relatório apenas aos outros países que assinaram o documento. “Primeiro, somente a Eslováquia fazia isso, mas agora outros governos aderiram a essa estratégia, inclusive o Brasil. Mas, mesmo se a prestação de contas brasileira for pública, algumas agregações de dados fazem o documento ficar sem sentido prático. Há jeitos de ter as informações divulgadas e não aumentar a transparência”, disse o especialista.

Fonte: METROPÓLES

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